segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Exercício físico e o Câncer – parte 2


Por: Karina Torres

  Há a indicação, em muitos estudos, de que a continuidade das atividades durante o tratamento contribui para o bem estar do paciente, além de auxiliar na redução dos efeitos colaterais da terapia e na reabilitação em alguns casos após intervenção cirúrgica (PRADO, 2001).

  A fadiga constatada nos pacientes com câncer pode ser de caráter crônico. Este estado de extremo cansaço contribui para uma constante perda de desempenho, resultando numa qualidade de vida baixa, antes, durante e após o tratamento (DIMEO et al. 2003).


  A atividade física tem se mostrado uma importante ferramenta no controle da fadiga com atuação direta no bem estar, e na qualidade de vida do paciente. Os exercícios contribuem tanto para a manutenção da força muscular, quanto para uma mínima redução desta principalmente em indivíduos hospitalizados. Ainda, há a sugestão de que a atividade física possa manter e até aumentar os níveis de energia, contribuir numa rotina diária – otimizando períodos de sono e descanso – e aumentar os momentos de lazer (PRADO, 2001; MOTA; PIMENTA, 2002).

  Estudos mostraram resultados positivos de exercícios aeróbicos em relação à redução da fadiga, prevalecendo de modo geral atividades leves. A realização dos exercícios sugere uma melhora no apetite, na auto-estima e na autopercepção, bem como influencia a rotina diária.

  A atividade física mostra-se preventiva ao câncer por ativar mecanismos biológicos atuantes no sistema imunológico, através do aumento de enzimas atuantes nos radicais livres e células “natural-killer”, as quais podem inibir a formação do tumor. Da mesma forma, ao iniciar, e durante todo o processo do tratamento o exercício contribui para um bom funcionamento dessas capacidades, ou seja, ativando o sistema imunológico de modo que o organismo torne-se menos vulnerável a outras doenças, o que certamente traria complicações a seu quadro CLÍNICO (MOTA E PIMENTA, 2002; BACURAU E COSTA ROSA, 1997; PRADO, 2001).

  Além disso, ao se elevar o gasto energético através dos exercícios o organismo passa a ter uma exigência maior de substratos, competindo com o tumor. Por conseqüência o tecido doente teria maior dificuldade de crescimento (BACURAU; ROSA, 1997). Deve-se ressaltar a importância do suporte de profissionais, sendo o ideal o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, pois quando inadequado o exercício físico deixa de ser benéfico podendo oferecer enorme risco ao doente (MOTA; PIMENTA, 2002; FRIEDENREICH; ORENSTEIN, 2002).


Foto : Copyright: Prefeitura de Olinda / Licença: CC-BY 2.0

domingo, 18 de novembro de 2012

Exercício físico e o Câncer – parte 1

Este é um artigo que achei muitíssimo interessante, que estou compartilhando com vocês. Ele é dividido em três partes. Espero que aproveitem.



Por: Karina Torres

   O câncer é, na atualidade, a segunda maior causa de morte em nosso país, nos Estados Unidos e na Europa. Grande parte dos casos acomete indivíduos adultos, afetando principalmente a mama, o pulmão, o intestino, o útero e a pele. Muito embora a herança genética seja um fator de grande relevância, o sedentarismo e um estilo de vida irregular tem sido os principais contribuintes para o crescente número de casos de doenças crônicas, incluindo as cardiovasculares, o diabetes e o câncer, sendo que para o aumento da idade, maior a parcela de influência no risco. Cerca de um quarto a um terço dos casos da enfermidade apresenta relação com sobrepeso, obesidade e elevados percentuais de gordura centralizada (FRIEDENRICH et al.2002).


  No entanto, há de se preocupar não só com a ampliação dessa taxa de sobrevida, mas também com a qualidade de vida e preservação física desses pacientes seja em período de recuperação, reabilitação ou em período de tratamento e até mesmo com a população, de uma forma geral, na redução dos riscos da doença

  Segundo De Paula e Braga (1997), a “prevenção em saúde pública é a ciência e a arte de evitar doenças, prolongar a vida e desenvolver a saúde física, mental e eficiência”. A prevenção do câncer tem como finalidade tanto reduzir o número de casos quanto os índices de mortalidade; em razão disso, aplicam-se medidas que diminuam a incidência da doença, tais como informar e orientar a população para que seja evitada a exposição desnecessária aos fatores de risco.

  A prática de atividade física de maneira regular, prescrita corretamente está relacionada à redução dos riscos de câncer em até 30%, além de ser um efetivo mecanismo no controle de peso. Nos casos de diagnóstico, estudos apontam o exercício físico como uma forma alternativa na preservação das funções fisiológicas e metabólicas, principalmente na preparação física e psicológica do indivíduo a enfrentar o tratamento. Durante as fases do tratamento, auxilia na manutenção do peso e das funções neuromusculares e no combate de estados de fadiga (BACURAU; COSTA ROSA, 1997; MOTA; PIMENTA, 2002; MATSUDO; MATSUDO, 1992).

Continua…



Foto 1 : Copyright: Ed Yourdon / Licença: CC-BY-SA 2.0

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

As modas alimentares impedem a busca do verdadeiro emagrecimento




Nos dias de hoje existem inúmeros livros, artigos e informações sobre dietas, cuja finalidade é a perda de peso e melhora da qualidade de vida. São conhecidas como "dietas da moda" e são padrões alimentares passageiros, pois não promovem uma reeducação alimentar.

De maneira geral, essas dietas são distribuídas a todas a pessoas e não levam em consideração os hábitos individuais, bem como a situação econômica, o estado de saúde de cada pessoa, a quantidade de calorias necessárias durante o dia, além da quantidade e proporções dos nutrientes que cada um necessita.

Essa enorme variedade de dietas lançada no mercado, deixa as pessoas cada vez mais confusas, mal educadas para uma alimentação saudável, além de desnutridas e viciadas, levando a uma saúde extremamente frágil e promovendo aumento de peso ao longo da vida.

Quando não é possível a manutenção de um hábito alimentar que seja saudável, ocorre um processo denominado "efeitos sanfona", que nada mais é, do que a repetida perda e ganho de peso resultante das dietas para emagrecer. Na grande maioria das vezes, este fenômeno adapta o peso nivelado sempre pelo peso maior.

Ao longo da vida, o "efeito sanfona", provoca quedas acentuadas e constantes no cabelo, na qual ocorre brilho e o deixa mais seco; enfraquece as unhas; aumenta a flacidez; provoca o envelhecimento precoce; entre outros. Estima-se que para cada 5% de aumento de peso acima do apresentado na fase adulta, ocorre um aumento de 200% no risco de desenvolver diabetes, além de doenças cardiovasculares e obesidade na meia-idade. O ideal é evitar ganhos de peso maiores do que 5Kg.

As dietas da moda enfatizam a perda de peso de forma rápida e não se preocupam com a dieta realmente balanceada e adequada de nutrientes. Depois de um longo período de uso dessas dietas, a pessoa fica muito mais vulnerável a diversas deficiências nutricionais e pode ocasionar inúmeros riscos à saúde, levando à diminuição da qualidade de vida.

Assim, as expectativas das dietas deixam de ser atendidas, o que leva à falhas na manutenção do peso, ao sentimento de culpa, ao fracasso, além de uma sensação de que nunca vai conseguir.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Análise das principais dietas Parte 1


    Este é o primeiro de vários posts que publicaremos sobre as principais dietas, com os seus prós e contras. Esperamos que sejam proveitosos a todos.


Dieta do Tipo Sanguíneo

  Foi criada por um naturopata norte americano, cuja linha é que dois pontos foram importantes para basear a dieta: as lecitinas (que são proteínas presentes nos alimentos e são responsáveis pela variação individual de acordo com o tipo sanguíneo) e a teoria de que o tipo sanguíneo determina as funções digestivas, estrutura imunológica. Além disso, afirma-se que alguns alimentos podem causar emagrecimento ou aumento de peso.

  Crêe-se que:

  Grupo Sanguíneo Tipo O: seriam "caçadoras carnívoras", devendo ter um consumo aumentado de carnes vermelhas, e evitar aveia, trigo e grãos.
  Grupo Sanguíneo Tipo A: seriam "vegetarianos dóceis", devendo seguir a linha vegetariana.
  Grupo Sanguíneo Tipo B: seriam "onívoros" e devem realizar dieta variada, este grupo é o único que pode consumir leites e derivados.
  Grupo Sanguíneo AB: seriam uma junção das intolerâncias e benefícios dos grupos A e B.

  Ponto Positivo: A venda do livro que dissemina a prática dessa alimentação.

  Ponto Negativo: Poucas pesquisas e não são validadas cientificamente. Baixa ingestão de cálcio a longo prazo, pode provocar problemas de saúde óssea. Independente do tipo sanguíneo do indivíduo existem restrições alimentares que são fundamentais para o bom funcionamento intestinal e contra doenças degenerativas. Não existe comprovação científica entre tipo sanguíneo e queima do tecido adiposo (gordura). A sensação de fome e sofrimento são grandes e podem levar à perda de massa muscular ao invés da perda de gordura.

sábado, 10 de novembro de 2012

Benefícios e Riscos da Atividade Física para Diabéticos


Professor
Vandeir Gonçalves Silva
Graduado pela Universidade de Brasília - UNB - DF
Membro do Gease
Professor de Musculação - Academia Malhart -DF


A prática de exercícios físicos proporciona inúmeros benefícios para qualquer ser humano. Particularmente na diabete, os exercícios possuem qualidades marcantes tanto na prevenção quanto no tratamento (CANCELLIÉRI 1999). Pacientes com diabetes freqüentemente têm múltiplos fatores de risco para doenças cardiovasculares, e um estilo de vida saudável, incluindo uma maior atividade física, é essencial para prevenir e tratar a diabete (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999). É importante ressaltar que existem várias formas de se prescrever a atividade física ideal para o diabético sendo necessário, entretanto, que se conheçam os benefícios e os possíveis riscos relacionados a esta população.


INTRODUÇÃO

A diabetes se refere a um conjunto de diversas doenças diferentes. Os tipos mais comuns de diabetes são o tipo 1, ou imunomediada diabetes melito, e o tipo 2, ou insulinorresistente diabetes melito. Um terceiro tipo, a diabetes melito gestacional, pode ocorrer durante a gravidez (AMERICAN DIABETES ASSOCIACION; 2002).

A diabete é uma doença causada pela hiposecreção de insulina pelas células beta das ilhotas de langerhans situadas no pâncreas. As células beta se tornam mais suscetíveis aos vírus, o que favorece o desenvolvimento de anticorpos auto-imunes que destroem estas células. Este processo pode ocorrer rapidamente ou ao longo de vários meses ou vários anos. Em outros casos parece haver uma simples tendência hereditária para a degeneração das células beta, ou para defeitos na regulação da secreção e/ou ação da insulina (GUYTON & HALL; 1997); (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999).

O que caracteriza o diabete é um aumento da glicemia de jejum e pós-prandial, que resulta da diminuição da secreção de insulina absoluta (como no tipo 1), ou relativa (como no tipo 2), da diminuição da ação da insulina ou de ambas (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999). Todas as causas de diabetes levam a hiperglicemia, que constitui a característica básica da doença (SILVEIRA NETO; 2000).

Fatores ambientais contribuem para a resistência à insulina, e sugere-se que estes fatores devem interagir com uma predisposição genética para que ocorra o diabete (SILVEIRA NETO; 2000). Os mais importantes são a obesidade (particularmente a deposição de gordura intra-abdominal), inatividade física e idade avançada. A inatividade é considerada o principal fator a explicar o excesso de peso encontrado na sociedade moderna. Inúmeros estudos têm demonstrado estreita relação entre consumo calórico, obesidade e inatividade, tanto em crianças quanto em adultos. A obesidade diminui o número de receptores insulínicos nas células-alvo da insulina em todo o corpo, fazendo com que a quantidade de insulina disponível seja menos eficaz na promoção de seus efeitos metabólicos, e a presença de concentrações elevadas de glicose e/ou ácidos graxos livres podem comprometer adicionalmente a função das células beta (GUYTON & HALL; 1997); (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999); (SILVEIRA NETO; 2000). A hiperfagia por si só, é responsável por alguns níveis de resistência à insulina, como se pode comprovar pelo declínio nos níveis de glicose plasmática ocorrido nos pacientes diabéticos do tipo 2 que se submetem a uma dieta de restrição calórica (SILVEIRA NETO; 2000).

No diabete melito, a maioria das características patológicas pode ser atribuída a um dos três efeitos principais da falta de insulina, a saber: (1) menor utilização de glicose pelas células corporais com o conseqüente aumento da concentração sanguínea de glicose; (2) depleção de proteínas nos tecidos corporais; e (3) aumento acentuado da mobilização de gordura das áreas de armazenamento da gordura, produzindo metabolismo lipídico anormal e também o depósito de lipídios nas paredes vasculares (GUYTON & HALL; 1997).

Na ausência de insulina ocorre a hidrólise dos triglicérides armazenados, liberando para o sangue circulante grande quantidade de ácidos graxos e glicerol, conseqüentemente a concentração plasmática de ácidos graxos livres começa a se elevar em alguns minutos (hiperlipidemia). O excesso de ácidos graxos no plasma promove a conversão pelo fígado de alguns ácidos graxos em fosfolipídio e colesterol, que leva ao rápido desenvolvimento de aterosclerose, arteriosclerose, cardiopatia coronária e lesões microcirculatórias, causando freqüentemente ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais e outros acidentes vasculares em pessoas com diabetes (GUYTON & HALL; 1997); (SILVEIRA NETO; 2000).

COMPLICAÇÕES RELACIONADAS AO DIABETE

Os pacientes portadores de diabetes representam um grupo susceptível a inúmeras complicações tanto crônicas quanto agudas, acarretando também na maioria dos casos problemas de repercussão psicossocial. A evolução do diabetes rumo às complicações crônicas está inteiramente relacionada com o mau controle da doença e, portanto, com a manutenção de níveis persistentemente elevados de glicemia; sendo assim, o controle rigoroso dos níveis de glicose no sangue é a principal estratégia para a prevenção das complicações do diabetes (SILVEIRA NETO; 2000).

A principal morbidade da diabete está relacionada com as complicações em longo prazo da hiperglicemia crônica. Estas possíveis complicações podem ser divididas em complicações microvasculares como retinopatia (perda potencial da visão), falência renal (nefropatia), dano aos nervos periféricos (neuropatia), e danos ao sistema nervoso autonômico (neuropatia autonômica), e complicações macrovasculares como doenças cardiovasculares ateroscleróticas, vascular periférica e cerebrovascular, além de constantemente estarem associadas a outros fatores de risco ateroescleróticos mesmo em indivíduos não diabéticos como hipertensão arterial, hiperlipdemia, obesidade e resistência à insulina (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999).

Pessoas com diabete tipo 2 desenvolvem as mesmas complicações em longo prazo daquelas com diabete tipo 1 (incluindo retinopatia, nefropatia, neuropatia e doença macrovascular), e precisam ser triadas para esses problemas antes de iniciar um programa de exercícios (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999).

Segundo SILVEIRA NETO, os principais fatores de risco para o desenvolvimento de complicações macrovasculares e microvasculares são a hipertensão, a hiperlipidemia, a hiperglicemia, o sedentarismo e o tabagismo. Em todos estes fatores o professor de educação física pode interagir direta e/ou indiretamente através da mudança de comportamento de seu aluno, usando para isso a atividade física.


BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA

Desde 1922 vários autores verificaram a interação da insulina com a atividade física e os benefícios no tratamento do diabete. A partir de então a tríade dieta, medicamentos (quando necessário), e exercício, fundamentados em um processo educacional, formam o princípio do tratamento desta doença (SILVEIRA NETO; 2000).

Exercícios são a parte mais divertida da terapia do diabete. Pense no quando "divertido" é espetar a si mesmo com uma agulha ou uma lanceta, tomar pílulas, ou ter que mudar sua dieta, provavelmente suprimindo algumas das suas comidas favoritas. Compare isto com um igualmente importante para sua saúde jogo de tênis, ou uma noite dançante, um passeio de bicicleta, uma caminhada, ou uma refrescante natação. Absolutamente sem discussão (GRAHAM; 1995). Toda e qualquer atividade física pode ser de grande valia para o diabético, sendo necessário sempre se levar em consideração o atual quadro de saúde em que o aluno se encontra.

A maioria dos efeitos diretos da atividade física ocorre porque o exercício normaliza a glicose sanguínea, diminuindo a resistência de insulina e melhorando a sensibilidade a ela. Vários estudos têm demonstrado que o treinamento de exercício pode aumentar a ação da insulina ou diminuir a resistência à insulina, especialmente entre pessoas com alto risco para diabete ou com hiperinsulinemia. Outros estudos mostram que indivíduos fisicamente ativos têm menos probabilidade de desenvolver diabete do que indivíduos fisicamente inativos. O efeito da atividade física parece ser devido à adaptação metabólica do músculo esquelético (aumento da densidade capilar; maior capacidade oxitativa), ou a outras adaptações ao treinamento como um conteúdo aumentado de transportadores de glicose GLUT4 (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999). Como conseqüência, a captação de glicose pelo músculo é incrementada, independentemente de alterações na concentração de insulina circulante (SILVEIRA NETO; 2000).

Em adição à redução aguda da glicemia e ao aumento da sensibilidade à insulina, o exercício regular melhora vários dos fatores de risco reconhecidos de doenças cardiovasculares, como melhora do perfil lipídico (diminuição do LDL, aumento do HDL e diminuição do triglicérides) e da hipertensão, e indivíduos diabéticos têm um maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999); (CANCELLIÉRI 1999). A hipertensão está associada com um aumento da incidência e taxa de progressão de retinopatia diabética e neuropatia e, portanto, deve ser tratada de forma mais agressiva. É genericamente aconselhável que os pacientes que apresentem doenças microvasculares dos olhos e rins, já estabelecidas, não participem de exercícios que resultem em um aumento da pressão sistólica acima de 180 a 200 mmhg (SILVEIRA NETO; 2000).

A prática regular de exercícios físicos pode acarretar uma diminuição da dosagem de insulina, e sua importância é fundamental nas terapias onde se objetiva uma menor dosagem de insulina a ser administrada pelo paciente insulino-dependente (SILVEIRA NETO; 2000).

Os benefícios cardiovasculares e metabólicos do exercício são sustentados somente como resultado da soma dos efeitos das sessões de treinamento ou como resultado de mudanças, em longo prazo, na composição corporal (SILVEIRA NETO; 2000), e outro grande benefício da atividade física regular é seu efeito sobre a composição corporal, através do aumento do gasto de energia auxiliando a redução de peso, o aumento da perda de gordura e a preservação da massa magra. Aproximadamente 60% das pessoas com diabetes do tipo 2 são obesas no momento do diagnóstico. Provavelmente a distribuição central de gordura parece ser fator de risco primário adicional para o desenvolvimento do diabete tipo 2, uma vez que a adiposidade na área abdominal ao contrário da periférica eleva a probabilidade de que indivíduos desenvolvam resistência à insulina. A atividade física parece prevenir o diabete tipo 2 não apenas diminuindo a adiposidade, mas também afetando a resistência à insulina e a tolerância à glicose (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999).

SILVEIRA NETO relata em sua obra sobre o constante estresse psicológico pelo qual os recém descobertos diabéticos passam, e cita até mesmo como experiência pessoal (o autor é diabético tipo 1 desde os quatorze anos) o quanto à atividade física pode ser benéfica para o controle desde tipo de estresse; estresse este que pode ter conseqüências bastante negativas para o controle glicêmico. Parece que o estresse psicossocial exerce um efeito direto psicossomático nos mecanismos reguladores neuroendócrinos, que por sua vez, influenciam o controle metabólico. A prática de atividades física promove benefícios fisiológicos e psicológicos, sendo o aspecto de lazer e entretenimento proporcionado pela prática de atividades físicas e esportivas, altamente desejável.

Segundo o mesmo autor, os parâmetros psicológicos passíveis de mudança com o exercício físico podem ser assim visualizados:

DIMENSÕES
MUDANÇAS
Depressão Diminui
Bem-estar Aumenta
Atitude positiva em relação ao trabalho Aumenta
Autoconfiança Aumenta
Autoestima Aumenta


RISCOS DA ATIVIDADE FÍSICA

No entanto o exercício também pode piorar várias das complicações a longo prazo do diabete. Em adultos, o exercício pode precipitar angina de peito, infarto do miocárdio, arritmias cardíacas ou morte súbita se houver doença arterial coronariana subjacente. Para se aumentar à segurança, deve ser feita uma triagem cuidadosa em adultos para as complicações em longo prazo do diabete (retinopatia, nefropatia, neuropatia periférica, neuropatia autonômica), antes de prescrever um programa de exercício de intensidade moderada a vigorosa (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999).

A atividade também deve levar em consideração o estado do aluno no momento do início da mesma. Diante de um quadro de glicemia superior a 250 mg/dl, por exemplo, (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999), sugere-se a medição de cetona na urina. O quadro de cetonúria é potencialmente perigoso para o diabético e o exercício acentuará este quadro. Esta situação indica pouca insulina no organismo, com conseqüente diminuição da utilização de glicose como fonte de energia e incremento do metabolismo das gorduras, acarretando elevação dos lipídios e de seus subprodutos no sangue (CANCELLIÉRI 1999). Com este exemplo que não é raro, se percebe a importância de um controle glicêmico constante, que pode ser feito de maneira relativamente fácil através de um glicosímetro. Através deste recurso o diabético pode fazer ele mesmo o exame de sua glicemia em casa, ou na hora em que precisar e sem qualquer dificuldade, sendo os resultados bastante precisos e confiáveis. Sem um controle adequado da glicemia, o diabético fatalmente tenderá a evoluir para as temíveis complicações crônicas da doença (SILVEIRA NETO; 2000).

Lesões das articulações e dos tecidos moles podem ocorrer quando os pacientes com neuropatia periférica realizam exercícios vigorosos (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999).

O exercício agudo provoca um aumento da sensibilidade à insulina e aumento no metabolismo da glicose, que persiste por várias horas após o exercício, podendo ocorrer assim hipoglicemia durante ou após o exercício. De outro lado o exercício de curta duração e grande intensidade está associado normalmente com um aumento transitório nos níveis de glicemia, podendo ocorrer um quadro de hiperglicemia (FRONTERA, DAWSON & SLOVIK; 1999). A hiperglicemia se for grave o suficiente pode produzir lesão imediata e irreversível no sistema nervoso central. A glicose é o único nutriente   capaz de ser utilizado pelo cérebro, pela retina e pelo epitélio germinativo das gônadas em quantidade suficiente para supri-lo com a energia necessária (SILVEIRA NETO; 2000), sendo assim um estado de hipoglicemia severa pode ser potencialmente perigoso para o indivíduo.

Outro grande fator de risco em potencial relacionado ao diabete do tipo 2, é que grande parte de seus portadores não sabe que carrega esta enfermidade. Ás vezes a doença pode não apresentar sintomas e continuar evoluindo sem que se dê conta disto, e o diabete só será diagnosticado quando as complicações crônicas já se houverem estalado (SILVEIRA NETO; 2000).

Referência Bibliográfica

CANCELLIÉRI, Cláudio; diabetes & atividade física 1999.
FRONTERA, Walter R., DAWSON David M. & SLOVIK; exercício físico e reabilitação 157:158; 202:214, 1999.
GRAHAM, Cláudia; the diabetes sports and exercise book, 1995.
Guia completo sobre diabetes da American Diabetes Association 2002.

GUYTON, Artur c. & HALL, John e; fisiologia humana e mecanismo das doenças 557:564, 1997.



SILVEIRA NETO, Eduardo; atividade física para diabéticos 2000.

http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_frame.asp?cod_noticia=944

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Benefícios da Prática de Pilates


Pilates com bola controle sua ansiedade

http://cyberdiet.terra.com.br/pilates-com-bola-controle-sua-ansiedade-3-1-2-83.html


O Pilates, como todos os exercícios físicos, traz benefícios incalculáveis ao corpo, além de fazer o praticante entrar em equilíbrio com seus sentimentos e ansiedades. 


Além de mexer com os lados emocional e psicológico, o Pilates garante uma boa forma física e bastante resistência ao corpo, física e mentalmente, sendo um catalisador para a saúde adequada e bem-estar. 

Mente 

O relaxamento do corpo, como um todo, e da mente é um motivo pelo qual as pessoas buscam o Pilates. As tensões do cotidiano, o estresse, as preocupações pioram a qualidade de vida das pessoas e a busca por esse método tem crescido no mercado, justamente para exterminar esses sintomas.
Doenças psicossomáticas também são problemas sérios que vêm aumentando dentro da população. Psicossomático significa que uma pessoa tem preocupações tantas, de modo que a mente cansada e ocupada mais do que deveria transfere para o corpo as dores que sente.
Então, uma pessoa saudável pode ter frequentes dores de cabeça somente pelo fato de sua mente estar em desequilíbrio. Quando se encaminha para o médico e este a avalia, chegando a análise de que não há problemas físicos, essa pessoa é diagnosticada com problemas psicossomáticos. 
Esses problemas podem se desenvolver em todo o corpo, como dificuldades respiratórias, desaceleração ou hiperaceleração cardíaca, dores musculares e inchaços. 
A ansiedade e a depressão, problemas cada vez maiores com o passar dos anos, são diminuídos e controlados através do Pilates.

Corpo

O equilíbrio do corpo é um alvo difícil de se alcançar e o Pilates é um caminho para se seguir até ele.


Médicos receitam esse método para correção postural, em crianças e adultos, para evitar o sedentarismo, ajudar nas articulações e auxiliar no funcionamento dos órgãos internos do corpo. 

As crianças também iniciam o Pilates, às vezes por orientação médica, pois o método trabalha a coordenação motora, a concentração, ajuda o sistema circulatório e respiratório, melhorando o nível de oxigênio no sangue.

Para as pessoas mais vaidosas e preocupadas com a saúde, o Pilates fornece tônus muscular e auxilia o organismo a expelir toxinas naturais. As formas físicas atingidas pelo Pilates também são um atrativo para os praticantes.

As lesões ocasionadas por atividades mal executadas ou por problemas genéticos são melhoradas com a ajuda do Pilates. Dores e imperfeições, principalmente na coluna são os motivos mais comuns na procura pelo método.

Alongamento e Flexibilidade

Não é preciso alcançar os dedos dos pés com as mãos para se ter saúde. A flexibilidade e o alongamento são duas ferramentas pelas quais uma pessoa pode equilibrar seu estado mental e sua saúde física, pois são baseados em séries de exercícios que quando praticados eliminam o sedentarismo.

Tanto na flexibilidade quanto no alongamento, é preciso tomar alguns cuidados com relação aos exercícios e a quantidade em que são executados. O colágeno é um tipo de camada que existe entre os ossos, não permitindo que eles se encostem e, consequentemente, entrem em atrito, causando lesões ósseas graves.


O colágeno é produzido pelo tecido conjuntivo, o mesmo que envolve e protege órgãos e partes vitais do corpo. Quando uma pessoa faz muitos exercícios físicos pesados a produção de colágeno pode ocasionar hipertrofia ou encurtamento de certos músculos. 

Flexibilidade 

A flexibilidade é a capacidade de esticar um músculo mais do que o natural, produzindo movimentos de amplitudes elevadas.

Dançarinos e ginastas surpreendem as pessoas, que não estão ligadas a esse meio, pela capacidade de colocar o pé na cabeça ou escorregar as pernas, uma para cada lado, até que a cintura atinja o chão, por exemplo.

Os contorcionistas trabalham incansavelmente para atingir formas com os corpos cada vez mais enroladas e flexíveis e ganharam espaço no circo por serem considerados “aberrações”, como a mulher barbada e o faquir.


Porém, há estudos que tentam provar que essa capacidade está ligada à herança genética, mostrando que realmente não é qualquer pessoa que consegue tais proezas. 

O corpo como um todo é analisado para se entender como funciona a flexibilidade, mas é dada uma atenção especial ao quadril e à coluna vertebral. Ocorre de uma pessoa ter muita flexibilidade nas pernas e não ter no tronco. Isso é natural, porque as articulações são diferentes umas das outras e acabam por ter movimentos e flexibilidades diversas. 

Mulheres, em geral, possuem maior flexibilidade por causa do estrogênio, que faz com que a massa muscular tenha menor desenvolvimento acumulando água e nutrientes, ajudando para que o atrito nas fibras musculares seja diminuído.

Sexo, idade e herança genética são fatores importantes para a denominação do grau de flexibilidade de uma pessoa, mas não são os únicos. Cada indivíduo tem suas próprias estruturas e, por mais parecidas que sejam com os demais, tem suas propriedades e suas habilidades. 

domingo, 4 de novembro de 2012

Treinamento de Força X Emagrecimento


Muito se discute sobre o efeito do treinamento de força sobre o emagrecimento, se este tipo de treino faz ou não diferença, especialmente quando se trata da obesidade, pois são exercícios que produzem certo impacto sobre as articulações, o que poderia ser prejudicial para pessoas obesas. Mas a questão é: pode um treino de força promover emagrecimento? Quais são os benefícios dos exercícios de força sobre o organismo?


De acordo com Winett e Carpinelli (2001), o treinamento de força é um método que envolve uma ação voluntária da musculatura esquelética contra uma resistência externa, que pode ser o próprio corpo, pesos livres ou mesmo máquinas. Este método vem sendo amplamente estudado, pois já é comprovado que promove melhoras em diversos tipos de patologias.

Os exercícios com sobrecarga desafiam o corpo à produção de força. Em uma  sessão de treino este fato se traduz em um protocolo de trabalho altamente específico, baseando-se na seleção de variáveis agudas do programa de exercício. Neste aspecto, as fibras musculares serão recrutadas com objetivos único de alcançar a força necessária para a realização de um levantamento de peso ou para a execução de qualquer exercício de força. Assim, outros sistemas do organismo serão acionados para a sustentação das demandas agudas daquele treino específico, bem como os processos de recuperação que ocorrem após o exercício ter sido realizado.

Ocorrem alterações fisiológicas agudas e crônicas com o exercício. A resposta aguda ao exercício usualmente resulta em mudança imediata na variável examinada (p.ex., aumento da frequência cardíaca), enquanto a mudança crônica está relacionada à resposta do organismo ao repetido estímulo de exercício a que o corpo é exposto durante o treinamento (Fleck, Kraemer, 2006). Além disso, produzem mudanças na composição corporal, no desempenho motor, na força muscular e também na estética corporal, e por estes motivos, torna-se um componente altamente importante nos programas de treinamento, na qual a capacidade física treinada é a força muscular.

Os principais fatores que os levam a contribuir com a redução do peso são: a manutenção da taxa metabólica de repouso, através da manutenção da massa muscular e o aumento no consumo de energia pós-exercício (EPOC, excess postexercise consumption). Após o exercício, o consumo de oxigênio permanece acima dos níveis de repouso por um determinado período de tempo, denotando maior gasto energético durante este período (MEIRELLES; GOMES, 2004), acarretando em um aumento no gasto calórico diário, porém, as pesquisas sobre o assunto são muito contraditórias (GUEDES JR., 2003).

A principal crítica quanto à sua contribuição no emagrecimento, parece ser o baixo gasto calórico de uma sessão de treinamento. Porém estudar o gasto energético da atividade de força não é tarefa simples, pois existem inúmeras possibilidades de combinações de exercícios, número de séries, intervalo de recuperação, número de repetições, velocidade de execução e carga, além de que, características individuais podem  interferir, tais como: raça, gênero, idade, composição corporal e nível de aptidão física.

Ocorre diminuição no percentual de gordura corporal, favorecendo um emagrecimento seguro e saudável. Torna-se evidente que o desenvolvimento e o subsequente controle da obesidade não se expressam de forma isolada, decorrentes de um único fator. Dessa forma, torna-se clara a necessidade de iniciar o seu tratamento após a identificação destes componentes, para que o provável efeito benéfico de uma ou mais tentativas de intervenção possa resultar em melhoria de vida do obeso.

Referências

FLECK, S. J.; KRAEMER, W. J. Fundamentos do treinamento de força muscular. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

GUEDES JR., D. P. Musculação: estética e saúde feminina. São Paulo: Phorte, 2003.

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