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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Exercício físico e o Câncer – parte 3


Por: Karina Torres

  A prática de atividades físicas após intervenções cirúrgicas têm fundamental importância na recuperação da mobilidade e amplitude de movimentos, prevenindo ou minimizando a atrofia de músculos e limitações articulares e na tentativa de redução da possibilidade do surgimento de linfedemas (PRADO, 2001; LOVE, 1998).

  Mas é durante o tratamento que a atividade parece ter maior importância, atuando no auxílio a atenuação da fadiga crônica, aumentando a eficiência metabólica e energética do corpo, reduzindo assim a ação dos carcinógenos.

  Um estudo que tinha por objetivo analisar o papel da atividade física na prevenção dos diversos tipos de câncer concluiu que pessoas fisicamente ativas, quando comparadas com não ativas, possuem de 30% a 40% menos chance de risco de desenvolvimento do câncer de cólon.

  Estudos que analisaram a relação entre atividade física e sobrevida em pacientes diagnosticadas com câncer de mama demonstraram que mulheres com maiores níveis de atividade física (principalmente as obesas) possuem maiores índices de sobrevida quando comparadas com as que realizam menos atividades (FRIEDENREICH e ORENSTEIN 2002; ABRAHAMSON et al. 2006).

  Um estilo de vida mais ativo pode diminuir o risco no desenvolvimento também no caso do câncer de próstata. LEE (2003) comprovou isso ao realizar acompanhamento, durante 26 anos, de 17.719 homens dos quais 419 desenvolveram câncer de próstata. Os pesquisadores concluíram que os indivíduos que gastavam mais de 4000 Kcal por semana tinham menor probabilidade de desenvolver a doença. Os dados mostraram também que homens acima de 70 anos e praticantes de atividade física regular obtiveram uma redução de 47% na incidência da doença.

  Existem evidências de que a atividade física reduz em até 20% o risco de mulheres desenvolverem câncer de mama. Isso gera a hipótese de que a atividade física protege o indivíduo não somente de doenças coronarianas e a diabetes, mas também contra o câncer (LAGERROS et al. 2004).




Foto 1 : Copyright: Jess Sloss / Licença: CC-BY-SA 2.0
Site:http://www.flickr.com/photos/jsloss/3516143145/sizes/z/in/photostream/

REFERÊNCIAS:

- Atividade física na prevenção e na reabilitação do câncer; Araújo W. P. M. B., Stevanato E.; Departamento de Educação Física – Universidade de Taubaté UNITAU Motriz, Rio Claro, v.11 n.3 p.155-160, set./dez. 2005

- As relações entre exercício físico e a atividade física e o câncer; Spinola A. V, Manzzo I. S., Rocha C. M.; Ver. Conscientiae Saúde, Universidade Nove de Julho, São Paulo 2007

- Variação da qualidade de vida empacientes tratadas com câncer de mama e submetidas a um programa de exercício aeróbicos; Evangelista A. L.; Dissertação apresentada à Fundação Antônio Prudente para obtenção do título de Mestre em Ciências; São Paulo 2007

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Exercício físico e o Câncer – parte 2


Por: Karina Torres

  Há a indicação, em muitos estudos, de que a continuidade das atividades durante o tratamento contribui para o bem estar do paciente, além de auxiliar na redução dos efeitos colaterais da terapia e na reabilitação em alguns casos após intervenção cirúrgica (PRADO, 2001).

  A fadiga constatada nos pacientes com câncer pode ser de caráter crônico. Este estado de extremo cansaço contribui para uma constante perda de desempenho, resultando numa qualidade de vida baixa, antes, durante e após o tratamento (DIMEO et al. 2003).


  A atividade física tem se mostrado uma importante ferramenta no controle da fadiga com atuação direta no bem estar, e na qualidade de vida do paciente. Os exercícios contribuem tanto para a manutenção da força muscular, quanto para uma mínima redução desta principalmente em indivíduos hospitalizados. Ainda, há a sugestão de que a atividade física possa manter e até aumentar os níveis de energia, contribuir numa rotina diária – otimizando períodos de sono e descanso – e aumentar os momentos de lazer (PRADO, 2001; MOTA; PIMENTA, 2002).

  Estudos mostraram resultados positivos de exercícios aeróbicos em relação à redução da fadiga, prevalecendo de modo geral atividades leves. A realização dos exercícios sugere uma melhora no apetite, na auto-estima e na autopercepção, bem como influencia a rotina diária.

  A atividade física mostra-se preventiva ao câncer por ativar mecanismos biológicos atuantes no sistema imunológico, através do aumento de enzimas atuantes nos radicais livres e células “natural-killer”, as quais podem inibir a formação do tumor. Da mesma forma, ao iniciar, e durante todo o processo do tratamento o exercício contribui para um bom funcionamento dessas capacidades, ou seja, ativando o sistema imunológico de modo que o organismo torne-se menos vulnerável a outras doenças, o que certamente traria complicações a seu quadro CLÍNICO (MOTA E PIMENTA, 2002; BACURAU E COSTA ROSA, 1997; PRADO, 2001).

  Além disso, ao se elevar o gasto energético através dos exercícios o organismo passa a ter uma exigência maior de substratos, competindo com o tumor. Por conseqüência o tecido doente teria maior dificuldade de crescimento (BACURAU; ROSA, 1997). Deve-se ressaltar a importância do suporte de profissionais, sendo o ideal o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, pois quando inadequado o exercício físico deixa de ser benéfico podendo oferecer enorme risco ao doente (MOTA; PIMENTA, 2002; FRIEDENREICH; ORENSTEIN, 2002).


Foto : Copyright: Prefeitura de Olinda / Licença: CC-BY 2.0

domingo, 18 de novembro de 2012

Exercício físico e o Câncer – parte 1

Este é um artigo que achei muitíssimo interessante, que estou compartilhando com vocês. Ele é dividido em três partes. Espero que aproveitem.



Por: Karina Torres

   O câncer é, na atualidade, a segunda maior causa de morte em nosso país, nos Estados Unidos e na Europa. Grande parte dos casos acomete indivíduos adultos, afetando principalmente a mama, o pulmão, o intestino, o útero e a pele. Muito embora a herança genética seja um fator de grande relevância, o sedentarismo e um estilo de vida irregular tem sido os principais contribuintes para o crescente número de casos de doenças crônicas, incluindo as cardiovasculares, o diabetes e o câncer, sendo que para o aumento da idade, maior a parcela de influência no risco. Cerca de um quarto a um terço dos casos da enfermidade apresenta relação com sobrepeso, obesidade e elevados percentuais de gordura centralizada (FRIEDENRICH et al.2002).


  No entanto, há de se preocupar não só com a ampliação dessa taxa de sobrevida, mas também com a qualidade de vida e preservação física desses pacientes seja em período de recuperação, reabilitação ou em período de tratamento e até mesmo com a população, de uma forma geral, na redução dos riscos da doença

  Segundo De Paula e Braga (1997), a “prevenção em saúde pública é a ciência e a arte de evitar doenças, prolongar a vida e desenvolver a saúde física, mental e eficiência”. A prevenção do câncer tem como finalidade tanto reduzir o número de casos quanto os índices de mortalidade; em razão disso, aplicam-se medidas que diminuam a incidência da doença, tais como informar e orientar a população para que seja evitada a exposição desnecessária aos fatores de risco.

  A prática de atividade física de maneira regular, prescrita corretamente está relacionada à redução dos riscos de câncer em até 30%, além de ser um efetivo mecanismo no controle de peso. Nos casos de diagnóstico, estudos apontam o exercício físico como uma forma alternativa na preservação das funções fisiológicas e metabólicas, principalmente na preparação física e psicológica do indivíduo a enfrentar o tratamento. Durante as fases do tratamento, auxilia na manutenção do peso e das funções neuromusculares e no combate de estados de fadiga (BACURAU; COSTA ROSA, 1997; MOTA; PIMENTA, 2002; MATSUDO; MATSUDO, 1992).

Continua…



Foto 1 : Copyright: Ed Yourdon / Licença: CC-BY-SA 2.0