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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Esteira absorve três vezes mais o impacto da corrida



Equipamento pode ser usado para emagrecer, ganhar músculos e melhorar o condicionamento físico

Bruno Folli



Foto: Getty Images

Esteira permite vários tipos de treinamento

Os exercícios realizados na esteira podem apresentar resultados bem distintos, bastam algumas alterações pequenas na maneira de realizá-los. Existem recursos para ajustar velocidade e inclinação, além dos treinos pré-programados. O uso correto de cada mecanismo permite queimar gordura, ganhar músculos e aperfeiçoar o condicionamento físico.

O equipamento é prático. Faça chuva, faça sol, ele vai estar sempre ali na academia, no espaço comum do prédio ou na garagem de casa. O risco é bem menor de perder o treino por fatores externos. “Em compensação, é mais fácil o aluno ficar entediado porque não muda o cenário, não sai do lugar”, afirma Saulo Diniz, treinador de corrida da academia Runner.

Especialista em treinos indoor e de rua, o educador físico conhece bem as vantagens e desvantagens de cada modalidade. “A esteira é boa para amortecer o impacto do exercício, que chega a ser três vezes menor”, compara. Isso graças ao sistema de amortecimento dos rolamentos. “É mais confortável correr na esteira”, concorda Miguel Parise, diretor da Queens Fitness, empresa que tem uma ampla linha de máquinas.

Outra vantagem da esteira é o controle maior sobre o exercício. É mais fácil monitorar fatores importantes como frequência cardíaca, ritmo e tempo do exercício. “Também é mais simples corrigir a postura do aluno e eliminar vícios de corrida”, afirma Diniz. Mas é preciso ter cuidado com alguns vícios específicos do exercício no equipamento.

“Quando o aluno cansa, ele geralmente se apoia nos suportes da esteira. O problema é que isso interfere nos movimentos do quadril”, alerta o educador físico. A inclinação do tronco, por vezes justificada pela necessidade de olhar o painel da esteira, também compromete a postura.

Na rua, o esforço do corredor tende a ser maior. Ele vai enfrentar mais variações de inclinação, precisará estar mais preparado para lidar com o impacto do exercício e vai sofrer até com a resistência do ar. Parece exagero, mas Diniz diz que alguns de seus alunos fazem este tipo de observação. “O risco de lesão é maior”, alerta ele.

Maratonista

Se o objetivo do corredor é se tornar um maratonista, não se deve excluir a rua dos treinos. Mas também não precisa se exercitar apenas nela. Os treinos na esteira podem a ajudar no ganho de condicionamento físico. Isso é feito com exercícios de explosão, os tiros, nos quais o aluno alterna velocidade moderada e alta.

Nestas situações, muitos programas padrões das esteiras servem como base do treino. O ideal é manter um ritmo pesado. Fazer pelo menos 30 minutos de treino em dias alternados para que haja recuperação do organismo.

“O exercício é um estresse controlado, com recuperação adequada”, afirma Ronaldo Meira de Melo, professor na graduação em educação física da Universidade de Guarulhos (UnG).

As variações de intensidade aperfeiçoam a potência aeróbia do corredor, com benefícios para coração, músculos e pulmões. A contrapartida disso é que o corredor perderá menos gordura, pois a fonte de energia será compartilhada com o glicogênio (carboidratos).

Um dos referenciais para garantir que o exercício esteja realmente produzindo o efeito desejado está na frequência cardíaca. Ela deve estar entre 80% e 85%. Este referencial varia de acordo com a idade e pode ser calculado de maneira simples, com a seguinte fórmula:

(220 – idade) x 0,80 = mínima
(220 – idade) x 0,85 = máxima

Mas o modelo padrão pode não refletir com precisão as particularidade de cada pessoa, de cada organismo. Até porque o próprio treinamento constante pode resultar em variações no condicionamento. Portanto, Meira de Melo recomenda um teste ergométrico, no qual a pessoa será levada do repouso à exaustão. “Assim é possível verificar sua frequência cardíaca máxima”, esclarece.

Melhor ainda se a pessoa puder fazer um exame mais específico, o ergoespirométrico. Ele apontará o ponto de transição entre os metabolismos aeróbio e anaeróbio. É neste momento em que o organismo tem o melhor aproveitamento do condicionamento físico. Contudo, a queima de gordura é menor.

Para emagrecer

Se o objetivo do corredor é entrar em forma, os treinadores recomendam um exercício constante na esteira com intensidade menor. A frequência cardíaca deve ser menor também, variando entre 65% e 75%. Para simplificar, o professor da UnG ensina um truque.

“Se a pessoa consegue conversar, porque não está ofegante, está queimando mais gordura.”

 “O ritmo constante é mais eficaz para mobilização de gorduras”, resume o especialista. Ele conta ainda que o treino traz benefícios para a capilarização muscular (ganho de vasos sanguíneos), estrutura que pode ser útil, por exemplo, para treinos de musculação.

O ritmo, embora constante, pode ter a velocidade aumentada conforme a pessoa vai ganhando condicionamento físico. Basta acompanhar as respostas do organismo pelo monitor de frequência cardíaca, instrumento presente até nas esteiras mais básicas.

Para ganhar músculos

O recurso da inclinação, embora não presente em todas as esteiras, proporciona benefícios interessantes. Ele aumenta o esforço e varia a requisição dos músculos. “Quem corre apenas com a esteira plana acaba sofrendo um enfraquecimento da tibial anterior (musculatura na frente do tornozelo)”, aponta Diniz. Mas isso pode ser contornado com inclinação positiva da esteira, simulando uma subida.

“O esforço é maior na esteira inclinado, o que traz um benefício maior ao músculo”, afirma o educador físico Luciano Tamagnini. Contudo, o ganho de massa magra não chega a ser tão expressivo quanto no obtido em treinos de musculação.

Mesmo assim, o trabalho muscular pode ser importante para aumentar a resistência aos exercícios na esteira, necessária tanto para treinos de resistência (perda de peso) quanto de explosão (aumento de condicionamento).

Seja qual for o tipo de treino, o professor Meire de Melo recomenda fazê-lo ao menos duas vezes por semana para haver resultados mais consistentes. Os treinos também devem ser em dias alternados para permitir ao músculo e às articulações se recuperarem. O ideal é haver acompanhamento de algum educador físico, além de um check-up anterior para verificar as condições de saúde.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Exercício aeróbio X Emagrecimento parte 1


  















  O exercício aeróbio é considerado um componente extremamente importante no processo de redução da massa corporal juntamente com as dietas, porque influencia a formação do balanço energético negativo. A finalidade do programa de exercício é aumentar o gasto calórico e diminuir a massa corporal. Para a maximização do total de energia gasta é preciso selecionar um modelo de atividade que seja realizada com intensidade baixa ou moderada por um longo período de tempo.

  Além disso, é preciso levar em consideração a quantidade, a intensidade e o tipo de exercício para que haja redução da massa corporal. De acordo com ACSM (2001) é recomendado que haja um aumento da quantidade de exercícios de forma progressiva para que haja maiores efeitos sobre a diminuição de peso, e ainda, que a quantidade de exercício necessária para a melhora da aptidão física pode ser diferente da quantidade necessária para o sucesso do emagrecimento em longo prazo.

Referência:

American College of Sports Medicine. Position stand approproate intervention strategies for weight loss and prevention of weight regain for adults. Medicine and Science in Sport and Exercise. 33 (12): 2145-2156, 2001.

Imagem: http://fabiotostes.blogspot.com.br/2010/01/beneficios-dos-exercicios-aerobios.html

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Manual do corredor iniciante

  Que correr trás inúmeros benefícios para a saúde, todo mundo sabe. Mas como iniciar? Que tipos de informações são necessárias para sair do sofá e começar a correr? Montamos um manual para você.

  O primeiro passo é procurar um médico e verificar se está apto a começar a praticar atividades físicas. Consulte um cardiologista, ele pedirá alguns exames e determinará quais cuidados você deverá tomar nos treinos.

  Para não ter nenhuma lesão, é necessário comprar um bom tênis, que seja confortável. Faça o teste já na loja mesmo, caminhando ou até mesmo correndo. É importante também conhecer o seu tipo de pisada (veja no quadro). Muitas lojas especializadas oferecem testes de pisada.

  Conheça os tipos de pisada

    Depois dos exames e da aquisição de um bom calçado, é hora de montar o treino. Procure um profissional de Educação Física para elaborar um treino especializado, levando seu nível de condicionamento,, bem como seus objetivos.

  Agora é só começar. É importante que você monitore sua frequência cardíaca, através do frequencímetro. Outro fator importante é a hidratação, hidrate-se antes, durante e após o treino.

  Criamos abaixo um modelo de treino para você começar. Bom treino!

Tipo Treino
(rua)
Tempo
(min)


Velocidade
(esteira)
Aquecimento 50% a 60% Fc Máx
Faça a série 1 vez
Caminha ritmo Moderado 8 5.0 a 6.0
Treino Moderado 65% a 75%Fc Máx
Faça a série 4 vezes
Trote 1 7.0 a 7.5
Caminha ritmo Leve 1 4.0 a 5.0
Corre ritmo Moderado (mais forte que o trote) 1 7.5 a 8.0
Caminha ritmo Leve 1 4.0 a 5.0
Recuperação
Faça a série 1 vez
Caminha ritmo Moderado 6 5.0 a 6.0
Total: 30 Minutos





quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Exercício físico e o Câncer – parte 3


Por: Karina Torres

  A prática de atividades físicas após intervenções cirúrgicas têm fundamental importância na recuperação da mobilidade e amplitude de movimentos, prevenindo ou minimizando a atrofia de músculos e limitações articulares e na tentativa de redução da possibilidade do surgimento de linfedemas (PRADO, 2001; LOVE, 1998).

  Mas é durante o tratamento que a atividade parece ter maior importância, atuando no auxílio a atenuação da fadiga crônica, aumentando a eficiência metabólica e energética do corpo, reduzindo assim a ação dos carcinógenos.

  Um estudo que tinha por objetivo analisar o papel da atividade física na prevenção dos diversos tipos de câncer concluiu que pessoas fisicamente ativas, quando comparadas com não ativas, possuem de 30% a 40% menos chance de risco de desenvolvimento do câncer de cólon.

  Estudos que analisaram a relação entre atividade física e sobrevida em pacientes diagnosticadas com câncer de mama demonstraram que mulheres com maiores níveis de atividade física (principalmente as obesas) possuem maiores índices de sobrevida quando comparadas com as que realizam menos atividades (FRIEDENREICH e ORENSTEIN 2002; ABRAHAMSON et al. 2006).

  Um estilo de vida mais ativo pode diminuir o risco no desenvolvimento também no caso do câncer de próstata. LEE (2003) comprovou isso ao realizar acompanhamento, durante 26 anos, de 17.719 homens dos quais 419 desenvolveram câncer de próstata. Os pesquisadores concluíram que os indivíduos que gastavam mais de 4000 Kcal por semana tinham menor probabilidade de desenvolver a doença. Os dados mostraram também que homens acima de 70 anos e praticantes de atividade física regular obtiveram uma redução de 47% na incidência da doença.

  Existem evidências de que a atividade física reduz em até 20% o risco de mulheres desenvolverem câncer de mama. Isso gera a hipótese de que a atividade física protege o indivíduo não somente de doenças coronarianas e a diabetes, mas também contra o câncer (LAGERROS et al. 2004).




Foto 1 : Copyright: Jess Sloss / Licença: CC-BY-SA 2.0
Site:http://www.flickr.com/photos/jsloss/3516143145/sizes/z/in/photostream/

REFERÊNCIAS:

- Atividade física na prevenção e na reabilitação do câncer; Araújo W. P. M. B., Stevanato E.; Departamento de Educação Física – Universidade de Taubaté UNITAU Motriz, Rio Claro, v.11 n.3 p.155-160, set./dez. 2005

- As relações entre exercício físico e a atividade física e o câncer; Spinola A. V, Manzzo I. S., Rocha C. M.; Ver. Conscientiae Saúde, Universidade Nove de Julho, São Paulo 2007

- Variação da qualidade de vida empacientes tratadas com câncer de mama e submetidas a um programa de exercício aeróbicos; Evangelista A. L.; Dissertação apresentada à Fundação Antônio Prudente para obtenção do título de Mestre em Ciências; São Paulo 2007

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Exercício físico e o Câncer – parte 2


Por: Karina Torres

  Há a indicação, em muitos estudos, de que a continuidade das atividades durante o tratamento contribui para o bem estar do paciente, além de auxiliar na redução dos efeitos colaterais da terapia e na reabilitação em alguns casos após intervenção cirúrgica (PRADO, 2001).

  A fadiga constatada nos pacientes com câncer pode ser de caráter crônico. Este estado de extremo cansaço contribui para uma constante perda de desempenho, resultando numa qualidade de vida baixa, antes, durante e após o tratamento (DIMEO et al. 2003).


  A atividade física tem se mostrado uma importante ferramenta no controle da fadiga com atuação direta no bem estar, e na qualidade de vida do paciente. Os exercícios contribuem tanto para a manutenção da força muscular, quanto para uma mínima redução desta principalmente em indivíduos hospitalizados. Ainda, há a sugestão de que a atividade física possa manter e até aumentar os níveis de energia, contribuir numa rotina diária – otimizando períodos de sono e descanso – e aumentar os momentos de lazer (PRADO, 2001; MOTA; PIMENTA, 2002).

  Estudos mostraram resultados positivos de exercícios aeróbicos em relação à redução da fadiga, prevalecendo de modo geral atividades leves. A realização dos exercícios sugere uma melhora no apetite, na auto-estima e na autopercepção, bem como influencia a rotina diária.

  A atividade física mostra-se preventiva ao câncer por ativar mecanismos biológicos atuantes no sistema imunológico, através do aumento de enzimas atuantes nos radicais livres e células “natural-killer”, as quais podem inibir a formação do tumor. Da mesma forma, ao iniciar, e durante todo o processo do tratamento o exercício contribui para um bom funcionamento dessas capacidades, ou seja, ativando o sistema imunológico de modo que o organismo torne-se menos vulnerável a outras doenças, o que certamente traria complicações a seu quadro CLÍNICO (MOTA E PIMENTA, 2002; BACURAU E COSTA ROSA, 1997; PRADO, 2001).

  Além disso, ao se elevar o gasto energético através dos exercícios o organismo passa a ter uma exigência maior de substratos, competindo com o tumor. Por conseqüência o tecido doente teria maior dificuldade de crescimento (BACURAU; ROSA, 1997). Deve-se ressaltar a importância do suporte de profissionais, sendo o ideal o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, pois quando inadequado o exercício físico deixa de ser benéfico podendo oferecer enorme risco ao doente (MOTA; PIMENTA, 2002; FRIEDENREICH; ORENSTEIN, 2002).


Foto : Copyright: Prefeitura de Olinda / Licença: CC-BY 2.0

domingo, 18 de novembro de 2012

Exercício físico e o Câncer – parte 1

Este é um artigo que achei muitíssimo interessante, que estou compartilhando com vocês. Ele é dividido em três partes. Espero que aproveitem.



Por: Karina Torres

   O câncer é, na atualidade, a segunda maior causa de morte em nosso país, nos Estados Unidos e na Europa. Grande parte dos casos acomete indivíduos adultos, afetando principalmente a mama, o pulmão, o intestino, o útero e a pele. Muito embora a herança genética seja um fator de grande relevância, o sedentarismo e um estilo de vida irregular tem sido os principais contribuintes para o crescente número de casos de doenças crônicas, incluindo as cardiovasculares, o diabetes e o câncer, sendo que para o aumento da idade, maior a parcela de influência no risco. Cerca de um quarto a um terço dos casos da enfermidade apresenta relação com sobrepeso, obesidade e elevados percentuais de gordura centralizada (FRIEDENRICH et al.2002).


  No entanto, há de se preocupar não só com a ampliação dessa taxa de sobrevida, mas também com a qualidade de vida e preservação física desses pacientes seja em período de recuperação, reabilitação ou em período de tratamento e até mesmo com a população, de uma forma geral, na redução dos riscos da doença

  Segundo De Paula e Braga (1997), a “prevenção em saúde pública é a ciência e a arte de evitar doenças, prolongar a vida e desenvolver a saúde física, mental e eficiência”. A prevenção do câncer tem como finalidade tanto reduzir o número de casos quanto os índices de mortalidade; em razão disso, aplicam-se medidas que diminuam a incidência da doença, tais como informar e orientar a população para que seja evitada a exposição desnecessária aos fatores de risco.

  A prática de atividade física de maneira regular, prescrita corretamente está relacionada à redução dos riscos de câncer em até 30%, além de ser um efetivo mecanismo no controle de peso. Nos casos de diagnóstico, estudos apontam o exercício físico como uma forma alternativa na preservação das funções fisiológicas e metabólicas, principalmente na preparação física e psicológica do indivíduo a enfrentar o tratamento. Durante as fases do tratamento, auxilia na manutenção do peso e das funções neuromusculares e no combate de estados de fadiga (BACURAU; COSTA ROSA, 1997; MOTA; PIMENTA, 2002; MATSUDO; MATSUDO, 1992).

Continua…



Foto 1 : Copyright: Ed Yourdon / Licença: CC-BY-SA 2.0

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Chega de preguiça. Deixe o sedentarismo de lado

Estresse elevado, hipertensão arterial, taxas de colesterol, triglicerídeos e glicose alteradas, além daquela gordurinha indesejada, são algumas das consequências de uma vida sedentária. Para reverter esses resultados e reduzir o risco de morrer de forma prematura, não é preciso muito. Atividades simples como ir a pé ou de bicicleta ao trabalho, limpar a casa ou trocar o elevador pela escada podem ser um ótimo começo.
‘Mais do que uma atividade física, a corrida é um meio de integração, de união’, Eunice Michelin da Silva.
Segundo o Educador Físico, Augusto Cruzoline, a ideia é começar devagar respeitando os limites do próprio corpo. “É importante ter consciência do seu grau de condicionamento, que deve ser levado em conta para estabelecer a melhor maneira de se trabalhar. Não é apenas decidir se exercitar e ir do zero para o cem de um dia para o outro”.
Nesses casos, o acompanhamento de um profissional é essencial para que os movimentos ocorram de maneira natural, sem forçar mais do que necessário. “Toda atividade física tem que ter o respaldo técnico de um especialista que, dentro das possibilidades, trabalhará para que as necessidades do atleta sejam atingidas”. O mesmo conselho vale para os mais experientes, para “sanar as dúvidas e evoluir”.
A coordenadora de RH Eunice Michelin da Silva, de 53 anos, começou a frequentar academia por necessidade, para cuidar da saúde, uma vez que o corpo começava a dar sinais de desgaste, e, desde então, treina com o acompanhamento de um profissional. “Quando saio correr sozinha, sempre procuro seguir as orientações que foram passadas pelo especialista”.
Cansado, sempre indisposto e acima do peso, o jornalista Valdyr Daldon, de 36 anos, sentiu que era hora de mudar. O primeiro passo para uma vida saudável foi procurar um cardiologista e um ortopedista, e, conforme manda o figurino, realizou os exames médicos necessários. “Optei por caminhar pelo menos meia hora por dia. Gradualmente, o tempo da caminhada aumentou e resolvi arriscar alguns minutos de corrida, que também foram aumentando diariamente. Em três meses, eu já estava correndo uma hora sem interrupções. Para mim, isso era algo que eu nunca imaginaria”, conta.
Segundo o cardiologista Cláudio Schmidt, a atitude do novo atleta está correta, e deve servir de exemplo para quem quer mudar de vida. “Ninguém deve se submeter ao exercício físico sem fazer exames cardiológicos primeiro”. E explica: “Através deles, o paciente saberá quais são as condições do coração e receberá orientações sobre o que e o quanto pode se exercitar”.
“Quando percebi que a caminhada tinha se transformado em corrida e que essa prática estava constante, além da orientação na parte da saúde, resolvi conversar com esportistas mais experientes. Busquei informação com gente que entende do assunto, como atletas e professores de educação física. Foi com esse pessoal que aprendi sobre alongamento, aquecimento, alimentação adequada, frequência de treino e, inclusive, a importância de usar um tênis adequado para a prática da corrida. Isso me deu mais tranquilidade e segurança para correr”, afirma o ex-sedentário convicto.
Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia em 2007 – com 2.012 pessoas entre 18 e 70 anos – revelou que metade dos brasileiros não pratica atividade física. Dos 50% que fazem exercícios, apenas 20% se exercitam diariamente, forma considerada ideal pelos médicos. A pesquisa também revelou que os homens são mais adeptos ao esporte dos que as mulheres: 60% contra 41%. O país-modelo na questão sedentarismo é a Finlândia: apenas 8% dos habitantes não praticam atividade física. Já nos Estados Unidos, esse índice ultrapassa os 60%.
Mas mesmo com toda a correria da vida moderna, pesquisas anuais realizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que o brasileiro está cada vez mais preocupado com a saúde e a forma física e que esse aumento vem acompanhado da redução, de forma mais acentuada, do percentual de sedentários. Pelo menos 29,2% da população encontravam-se nessa situação em 2007. No ano seguinte o número caiu para 26,3%.
Dr. Cláudio Schmidt ressalta que “essa mudança de atitude é muito importante para o nosso bem-estar e inclusive para a nossa saúde”. Segundo ele, quem pratica exercício físico de forma regular e orientada retarda o aparecimento de infarto e derrame, e prolonga a vida.

Alimentação Saudável

A alimentação balanceada e saudável é fundamental sempre. Mas, segundo a nutricionista Roberta Cassani, na prática esportiva ela é especialmente importante para a melhora no desempenho, ganho muscular e manutenção do nível energético durante a atividade. “O planejamento alimentar deve ser realizado em cima do dia a dia de cada atleta, levando-se em consideração seus horários. Uma atleta que pratique uma atividade com “tiro” de velocidade, como corrida, por exemplo, deve exigir uma recuperação de carboidratos antes, durante e depois do treino. Neste caso, uma ingestão de massas e outros carboidratos de absorção rápida são necessários para que haja um estoque energético no organismo”, explica.
Outro ponto importante é que a prática de uma alimentação adequada não deve ser apenas durante ou na véspera de competições, e sim ao longo da vida. “Este é um ‘detalhe’ que efetivamente define a performance do atleta”, acrescenta Cassani. Luís Fernando Grigolon Rodrigues sabe da importância de uma alimentação saudável. “Procuro sempre almoçar de forma reforçada, abusando de alface, tomate, cenoura e outros vegetais, sem esquecer do arroz e uma carne branca ou vermelha, mas em meio a correria do dia-a-dia, às vezes fica difícil até de tomar água”.
O Valdyr Daldon, de 36 anos, conta que com o esporte, a sua alimentação mudou sem que ele percebesse. “O corpo mais ativo parece que não se dá mais bem com comidas muito pesadas. Hoje em dia, como menos frituras e menos alimentos industrializados. Dou preferência para frutas, legumes e grelhados. É claro, não sou nenhum atleta profissional, então cometo meus pecadinhos”, confessa o jornalista.
E, de acordo com a nutricionista Roberta Cassani, o ex-sedentário está no caminho certo. Frituras, condimentos, refeições com muita carne, sucos que possam gerar transtorno gastrointestinal, alimentos industrializados ou a base de cremes e maioneses devem ser evitados principalmente 40 minutos antes da atividade física. “Mas é importante ressaltar que cada atividade apresenta suas próprias características, e que as orientações nutricionais – especialmente, no que se refere à dieta e exercício físico – variam de acordo com o sexo, idade, e se o individuo era ou não sedentário, ou até mesmo se é um atleta”.
Tão importante quanto à alimentação saudável é o aquecimento antes de qualquer atividade física. “Antes de correr, com bastante capricho, faço todos os alongamentos necessários para evitar lesões. Acho que demoro uns vinte minutos. Depois disso começo a caminhar para me aquecer e, só após essa preparação, inicio a corrida”, conta Daldon. “Alongo cuidadosamente até atingir todos os pontos-chave do corpo que serão depois trabalhados nos movimentos. Certifico-me de que alonguei dos pés à cabeça para não causar futuras lesões”, afirma Rodrigues.
Segundo o Educador Físico Augusto Cruzolini escolher o melhor tênis para correr também faz toda diferença, pois ele é ferramenta indispensável para o exercício. “Use calçados adequados e roupas confortáveis; esqueça o mito que correr com agasalho emagrece mais”, orienta o professor.
Outra dica indispensável é procurar uma atividade que te de prazer e não se torne maçante. “Muitos atletas de primeira viagem tem problema ao começar correr. Por falta de condicionamento físico, os iniciantes não conseguem fazer o tempo mínimo necessário para sentir os benefícios e prazeres que a corrida traz durante a atividade”, explica Cruzolini. Segundo dados fisiológicos, são necessários de 15 a 18 minutos de corrida para sentir prazer, mas “muitos param antes”.

Créditos:Itu.com.br | Camila Bertolazzi
 http://efbr.com.br/25/04/2012/noticias/saude/chega-de-preguica-deixe-o-sedentarismo-de-lado/

domingo, 15 de julho de 2012

Prevenir é melhor do que remediar

Através dos anos, vem ocorrendo uma reformulação, dentro do conceito popular, na relação da atividadade física com a saúde.
Num passado não muito longínquo, as pessoas se lembravam da importância da saúde, somente quando a perdiam. Nesse contexto, os indivíduos recorriam ao médico atrás de remédios, apenas na tentativa de resgatar a saúde perdida. Essas pessoas se esqueciam de que a melhor forma de tratar certas complicações é criando condições desfavoráveis para o surgimento da mesma, ou seja, prevenindo.
Prevenção é criar condições que dificultem a manifestação de diversas complicações tanto clínicas, quanto práticas. Nesse novo contexto ganham em importância dois conceitos fundamentais: a alimentação e a atividade física.
A alimentação adequada é aquela que fornece todos os nutrientes (macro e micro) necessários, e em quantidade apenas suficiente para a viabilização da otimização do funcionamento orgânico.
A atividade física, através das diferentes adaptações fisiológicas por ela estimulada, torna-se uma grande aliada da saúde, prevenindo e até mesmo podendo fazer parte do tratamento de diversas doenças.
Nesse novo contexto, o professor não deve ficar atento somente aos benefícios de última análise (Ex: aumento de força, flexibilidade, resistência, etc.), mas também aos benefícios que tornam esses (benefícios de última análise) viáveis, ou seja, as adaptações invisíveis que tornam possíveis - criam estrutura orgânica (benefícios de primeira análise) - todos os benefícios acima citados.
Essa compreensão em conjunto com o estudo dos mecanismos das doenças, associados ao bom senso determinam as estratégias a serem adotadas.
Enfim, o bom profissional é aquele que, através da busca de novos conhecimentos, evolui no sentido de tirar o máximo proveito das informações científicas e aplicá-las da melhor maneira possível, transformando o exercício num benefício e não numa prática desiteressante e, por vezes perigosa.
Escolha bem o seu personal para orientá-lo na sua atividade física.